Tratamentos

Reposição Hormonal para Homens

Se para a mulher a reposição hormonal é uma conquista, para o homem ela ainda gera polêmica entre os médicos.

Na verdade, muitos homens não conhecem o terapia de reposição da testosterona, um dos principais hormônios masculinos. O Dr. Gorgônio J. da Encarnação, geriatra e médico ortomolecular, em entrevista à revista de Oxidologia, explicou como funciona e quando deve ser feita a reposição hormonal masculina.

O que é andropausa?

A palavra andropausa apareceu pela primeira vez em 1952 para significar o período de vida que compreendia o envelhecimento sexual do homem. À parte controvérsias e discussões, podemos entender a andropausa ou climatério masculino como sendo o conjunto de sinais e sintomas que acompanham as mudanças fisiológicas e psicológicas consequëntes a diminuição da atividade dos hormônios sexuais no homem.

Em que fase da vida ocorre a queda da testosterona?

Inicialmente devemos levar em conta que as mudanças nos hormônios sexuais da mulher ocorrem de maneira universal e são mais acentuadas e rápidas do que no homem. Isto ocorre porque a fonte de hormônios gonadais na mulher depende de reserva folicular dos ovários que, como sabemos, não é renovável. Já as células de Leydig, fonte dos adrógenos testiculares, geralmente mantém-se em número substancial durante a vida do homem. A queda nos níveis plasmáticos de testosterona inicia-se em torno dos 32 anos e acentua-se após os 37anos, estabilizando-se totalmente aos 50 anos.

Essa queda provoca alguma alteração na composição corporal?

A síntese de colágeno, por por exemplo, é diretamente afetada, tornando-se lenta. Por outro lado observa-se a acentuada degradação do colágeno recém-sintetizado. É importante a constatação de que, muitas das alterações no homem andropausado estão ligadas não propriamente à queda da testosterona e sim aos níveis de estrógenos plasmáticos, isto é, a relação estrógeno/testosterona. Geralmente, no homem em andropausa, os níveis de estrógenos diminuem menos que os de testosterona e, como conseqüência, a relação estrodiol-testosterona aumenta com a idade. Uma mudança nessa relação, mesmo na ausência de alteração dos níveis de estrógenos, faz com que haja desvio metabólico apontando no sentido da maior atividade estrogênica no homem nesta fase da vida. Exemplificando: A hiperplasia prostática benigna (HPB), seqüela comum da idade no homem, correlaciona-se diretamente com o estradiol plasmático, assim como a relação estradiol-testosterona.

Como o hormônio do crescimento (GH) pode ser entendido na reposição hormonal masculina?

O hormônio de crescimento(GH) tem suas concentrações plasmáticas progressivamente reduzidas no homem após os 40 anos, agindo direta ou indiretamente nos tecidos alvos. Sua ação indereta e medida através do insulin-like growth factor 1(IGF1) que, sintetizado principalmente no fígado, tem sua produção e atividade controlada pelo GH. Desta forma podemos monitorar atividade do GH dosando as taxas plasmáticas de IGF1. Diferente das mulheres, após a menopausa, a queda do GH nos homens em andropausa é maior e mais significativa. A terapia de reposição hormonal com GH em homen resulta em melhores da massa muscular, aumento da capacidade de exercícios, normalização da função renal, acentuada melhora da performa cardíaca, especialmente se o paciente for portador de algum grau de ICC, além de incrementar a atividade mental. Recentes estudos mostram também resposta imunológica mais energética. Acreditamos que, com 20 anos de atraso em relação às mulheres, a terapia de reposição hormonal com GH venha abrir uma perspectiva concreta para os homens, no sentido de retardar o envelhecimento com hormônios.

Existe algum risco na reposição com hormônios?

Exposição longa ao GH pode acarretar a síndrome do túnel do carpo e hiperglicemia. O receio de aumento carcinogênico ao foi demonstrado, nem definitivamente rejeitado, e aqui aconselha-se criteriosa seleção de pacientes para esse tipo de terapeuta, assim como controle. Outra dificuldade desse tipo de terapêutica é o elevado custo financeiro do GH.

E no caso de DHEA?

DHEAe seu respectivo sulfato são andrógenos fracos e produzidos em larga escala pela adrenal. Seus níveis decrescem com a idade podendo ser utilizados como biomarcadores e bioquímicos da idade cronológica. Assim como o GH, o DHEA tem seus níveis plasmáticos mais reduzidos nos homens do que nas mulheres e, certamente, está envolvido na fisiopatologia do envelhecimento, como por exemplo, doenças cardiovasculares e autoimunes.

Temos utilizado a reposição hormonal com DHEA em pacientes andropausados, e temos observado melhora geral das alterações relacionados com a idade, com especial referência ao aspecto estético, onde verifica-se atenuação do envelhecimento cutâneo.

Um dos pontos mais discutido sobre a reposição hormonal masculina é a idade. Com quantos anos o homem deve faze-la?
A clínica é soberana. Sintomas como fadiga mental, sudorese matinal, desinteresse ou preguiça sexual, palpitações, artralgias, sensação de frio ou calor exagerada, extremidades frias, insônia, indisposição matinal e sentimentos depressivos são alguns indicativos de que nosso paciente quarentão está com possível deficiência hormonal. Após dosagem plasmática de testosterona (livre e total), DHEA, IGF1, estradiol, FSH, TSH, T3, T4, PSA e ultra-sonografia prostática podemos identificar o tipo de reposição indicada.

A diminuição da libido está associada à queda na produção de testosterona?

Os anírogenos, especialmente a testosterona, têm papel-chave na estimulação e manutenção da função sexual no homem. A reposição da testosterona em pacientes com hipogonadismo induz ao aumento do interesse na atividade sexual e sensível melhora em outros aspectos do comportamento sexual. O exato papel dos andrógenos no sentido de aumentar a freqüência e a qualidade das ereções ainda não é totalmente esclarecida. A administração de testosterona e outros andrógenos a homens com disfunção da ereção, mas com função gonadal normal, usualmente não é benéfica. Em homens normais, a supressão da testosterona a níveis compatíveis com os de castração reduz o desejo sexual, as fantasias sexuais e as ereções espontâneas.

Acreditamos que exista um limiar sério de testosterona (que varia de pessoa para pessoa) abaixo do qual a função sexual e libido são alteradas. Na andropausa a terapia de reposição com testosterona poderá melhorar a libido e as ereções nos casos onde tais sintomas sejam conseqüências exclusivas dos baixos níveis séricos de andrógenos.

A reposição hormonal no climatério masculino pode ser uma arma na luta contra o envelhecimento? Existem abusos?

Ambas as perguntas se retirarmos a interrogação, são afirmações verdadeiras. Os andrógenos aumentam a retenção de nitrogênio, massa corporal magra e o peso como um todo. Como já comentamos a concentração da testosterona diminui com a idade, essa queda pode contribuir para a diminuição da libido, freqüências e qualidade das ereções, bem como enfraquecimento muscular com regressão da massa dos músculos. A terapia com reposição andrógênica no homem idoso e/ou em andropausa , restaura a massa muscular e o peso corpóreo, além disso melhora o hematocrito, diminui os indicadores bioquícos do turnover e incrementa a função sexual. A administração exógena de testosterona inibe a secreção de genadotofina, inibindo, secundariamente a espermatogênese e, desta forma, funciona como um anticoncepcional masculino em potencial. Esquemas de reposição hormonal associando testosterona com progestagenos ou hormônios liberadores de gonadotofina têm sido propostos para contornar inconveniente. Infelizmente os andrógenos têm sido largamente utilizados por atletas por motivos profissionais, por recreação ou simplesmente para melhorara aparência masculina. São os chamados bodybuilders. Alarmante, porém, é a constatação de que o uso indiscriminado de andrógenos tornou-se popular entre adolecentes. A maioria começa a usá-los em torno dos 16 anos.

De que forma é realizada a reposição de testosterona e quais são os efeitos colaterais?

Após cuidadosa avaliação da bexiga e da próstata, através de procedimentos clínicos, ultra-sonográficos e bioquímicos, além de dosagens da testosterona, LH, FSH, utilizamos, desde que indicado pelo quadro clínico, a reposição hormonal com ésteres de testosterona, que têm ação prolongada e não provocam efeitos tóxicos no ficado.

Empregamos também o enantato de testosterona ou o cipionato de testosterona, na dose máxima de 100mg IM cada 21 dias. Os mesmos critérios utilizados inicialmente na avaliação do paciente são empregados ao longo do tratamento, precavendo-se sempre sobre qualquer sintoma que possa indicar obstrução urinária. Raramente observamos aparecimento ou piora desses sintomas com as doses de testosterona recomendadas. Os efeitos colaterais da terapia de reposição andrógena são raros, laterais da terapia de reposição androgênicas são raros desde que empregue-se ésteres de testosterona em doses baixas.

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